segunda-feira, 23 de maio de 2011

18- Públio Siro uma vez escreveu...

“Ninguém pode fugir ao amor e à morte.”
Eu enjoava facilmente com velocidade, mas me esforcei ao máximo para não perder mais tempo que o necessário na estrada.
A Mansão Campbell parecia realmente assustadora - não tinha prestado atenção da última vez. O terreno era o maior de toda Primavera. Eu provavelmente odiaria passar em frente àquela casa depois do escurecer. Só em imaginar senti calafrios.
Apertei o interfone no portão. Notei a câmera se movendo na minha direção, era desagradável.
“Oi... Sou o Derick. Preciso falar com a Sra. Campbell. É urgente, por favor. Ela me conhece, sou o namorado de sua filha.”
O portão fez um estalo, dei um pulo para trás com o susto. Suas portas se afastaram.
Voltei ao carro e fiz a passagem até a frente da monstruosa porta da casa. Tinha um mordomo em pé, parecia me esperar. Saí do carro e fui em sua direção, desconfortável.
“Sr. Derick, deixe-me te acompanhar até a Sra. Campbell. Ela te aguarda no escritório de seu marido.”
Entrei na sala e o mordomo sumiu. Sandra estava ansiosa, mexendo em alguns papéis sobre a mesa.
“Derick, pensei que fosse horário escolar.” Ela disse, notavelmente, desaprovando a minha presença.
“Isso não importa. A Yasmin está em perigo. Entendo que não pudesse ocupar a linha telefônica, então vim.”
Ela ergueu as sobrancelhas. “Era melhor que tivesse entendido que vir também não seria de ajuda.”
Engoli em seco. “Só quero saber o que está acontecendo...”
Ela parou suas mãos sobre os papéis. “Yasmin foi seqüestrada. Eles querem TODO o nosso patrimônio em troca. A única pessoa que tem o poder pra fazer isso teve outra parada cardíaca essa manhã.” Sua voz tremeu, mas suas expressões não mudaram. “Estou tendo que resolver coisas o suficiente por minha própria conta para ainda me preocupar com o namoradinho da Yasmin matando aula.”
“Se preocupar comigo?”
“A escola não teria permitido e seus pais muito menos. O que faz de você um problema pra mim agora. Mais um para resolver e eu realmente não estou com humor.”
Tentei ignorar, concentrando-me na Yasmin. “E a polícia? Não vejo ninguém por aqui. Não vi nenhum em Almerin também. Eles já não deveriam estar em todo canto procurando por ela?”
Sandra me encarou. “Não seja estúpido! É claro que não comuniquei nada a eles. Acha mesmo que essa não foi uma das primeiras coisas que o seqüestrador me avisou que não fizesse?”
“Mas, então...”
“Exatamente, Derick. Mãos atadas. Não consigo nem achar algum maldito papel com uma assinatura do Vítor!” empurrou as coisas da mesa no chão e sentou-se de costas para mim na ponta da mesa.
Aproximei-me temeroso. Ela parecia chorar. Toda a sua pose bem longe dela agora. Toquei o seu ombro, hesitante. Pensei no que poderia dizer para acalmá-la. O telefone preso na parede tocou. Ela correu para atender.
“Oi. O quê? Prefiro que me diga agora, por telefone mesmo. Diga.” Suas mãos tremeram. “Entendi. Em pouco tempo estarei aí.” Desligou.
A mão que segurava o telefone repousou na parede ao lado do aparelho. Sua respiração muito intensa. Arfou. Inspirou e expirou, tentando se acalmar. Depois se virou na minha direção. “Vítor morreu.”
Yasmin não suportaria quando soubesse...
“Ah, não chore, por favor.” Ela disse secamente. “Preciso ir ao hospital resolver as coisas para o enterro. Você pode ficar aqui? No caso dos sequestradores ligarem. Diga o que aconteceu. Vou poder dar o que eles querem agora.”
Assenti com a cabeça ainda surpreso.
Ela saiu, deixando-me sozinho naquela sala. Peguei os papéis do chão, fiz uma pilha e deixei sobre a mesa. O telefone tocou. Um frio percorreu a minha espinha.
“Alô?”
“Derick?” reconhecia a voz da Sally.
“Não posso ocupar essa linha, prima.”
“Bem, mas eu preciso falar com você... Mas que merda! Cadê o seu celular?”
Tinha levado comigo, mas...
“Desligado...”
“Ótimo! Tentei falar com a Yasmin e também parece estar desligado. O que vocês dois estão fazendo aí em plena terça-feira?”
“Vou ligar meu celular e ligo pra você.” Desliguei.
Como eu iria explicar para Sally o que estava acontecendo? Ela iria surtar. Pensei que poderia explicar tudo já com a Yasmin comigo, bem.
Suspirei e liguei para a minha prima.
“Derick.” Seu tom já não era mais de irritada, ela estava aflita. “O que está acontecendo? Estou até com medo da resposta.”
“Prefiro explicar depois, Sally. Só fica calma, estou bem. Vou ficar aqui por um tempo. Avisa aos meus pais, por favor.”
“Eu aviso, Derick. Mas me explica agora. Não vou conseguir ficar calma assim.”
Saber só iria piorar...
“Derick!”
Lembrei de quando a Sandra disse não ter dito nada aos policiais. Se eu contasse a Sally...
“Eu estou bem, Sally. Não liga pra cá. Assim que eu puder te explico. Tchau.”
“Derick...” suplicou.
“Desculpa...” desliguei o celular.
O telefone tocou novamente. Sally iria insistir, eu deveria ter imaginado.
“Sally, por favor, não faz isso de novo.”
Já estava para desligar quando prestei atenção naquele som medonho na linha.
“Desculpa te decepcionar, mas não sou Sally... E você não é a Sandra. Pensei que tivesse sido claro com ela sobre manter essa linha apenas entre nós dois.” Eram eles.
“Sou o Derick...”
Ouvi barulhos.
Um choramingar. “Derick?” Yasmin. Sua voz era desespero puro.

9 comentários:

  1. Suh,
    Estou apreensiva por causa desta atuh... Nem sei o que dizer...

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  2. Poxa o pai da Min morreu =\
    Ela vai ficar arrasada quando souber...
    Essa Sandra é muito fria u.u
    Eu tenho duvidas que ela vá dar tudo para os sequestradores...
    Quero a Min de volta e bem logo.

    Beijos

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  3. Ain, Mita...
    Pelo menos a próxima atuh é logo depois de amanhã. =/
    -
    As coisas só complicam mais, Vih.
    Acho que é o que todos nós queremos. çç'
    =*

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  4. Suh!! Vc tá cada dia mais sem noção!! Ou vc está treinando pra escrever novela mexicana?! lixa*
    Que sequestrador mais nó cego é esse? Deve ser de primeira viagem, inclusive... kill
    Como é que o vadio anencéfalo pede TODO o patrimônio? Não dava pra ter pedido METADE?
    E essa bruxa dessa mãe da Min... Como é mesmo o nome dela?! É Suellen?! Uma bruxa com um pedaço de aço no lugar do coração só pode ter esse nome. u.u
    Deve ter a cara cheia de botox para a expressão nem mudar diante do sequestro da filha e da morte do marido u.u

    Suh, sua bruxa!! Vou te surrar!!

    E nem sei qndo vai ter beijo de novo pra vc...
    u.u
    Bruxa!

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  5. Cara, morte, sequestro, clima mó tenso, mas eu chorei de rir com esse coment da Lu, kkkkkkkkkkkkkk.
    Ela já disse tudo, Suh, sua bruxa!

    Espero que tudo acabe bem e logo, hunf.
    Beijo só porque sou boazinha. :*

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  6. Cara... Ou a Sandra não bate bem, ou é maléfica ao extremo! Eu to assustada. O.O

    Primeiro ela dá um bando de fora no Guri, depois manda ele ficar pra atender o telefone. O morto não podia esperar? Já tá morto! Eu não gosto nem de pensar da Min recebendo essa notícia, mas se Sandra está por trás disso, foi o momento perfeito pra ela causar um infarto no marido.

    Mas alguns moles... Realmente TODO o patrimônio? Como se faz isso sem levantar suspeitas de que algo muito estranho está acontecendo? O.o

    Esperando pra ver quem tá com a mão amarela...

    Bjks

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  7. Lu e Dindi, já falei sobre essa violência... uu'
    -
    Pah, acho que você vai se unir ao grupo violento que quer me espancar. .-.

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  8. Mais uma pro grupoooooo!!! não esqueceram de me add nisso né? u_u' Falar em pancadaria é comigo mesmo *-*
    Meu essa mulher é louca de pedra g.g
    Own, tadinha da Mim =/


    Bjoos Suh q esta prestes a levar uma surra =P

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  9. Estava demorando a pior aparecer querendo me bater por aqui... ¬¬'
    Fatão, Deh!
    =*

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